Carlos Alberto Maroueli
Consultor empresarial, Palestrante e Professor de Empreendedorismo, Logística e Gestão Ambiental na UNIFEV – Centro Universitário de Votuporanga-SP.
'Acabou a era da informação'
Certamente o título deste artigo deve ter causado estranheza a muitos leitores, afinal, vivemos em uma época cujo volume de informações é enorme, sem precedentes na história da humanidade.
A todo momento ouvimos dizer que o "capital" mais valioso que uma empresa possui atualmente é a informação.
Mas será que é mesmo assim?
Por certo que informações são valiosas e formam a base estratégica sobre a qual se assenta todo e qualquer empreendimento, entretanto, antes de pensarmos na informação, pura e simples, como sendo uma panacéia capaz de resolver todos os problemas da empresa, devemos lembrar que a posse de muitas informações não é mais privilégio de um ou outro sábio iluminado ou de uma ou outra corporação altamente estruturada.
Hoje a informação está à disposição de todos, em qualquer lugar. Uma edição de domingo do jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, tem mais informações do que um ser humano comum da Idade Média conseguiria ter acesso durante toda a sua vida.
Hoje, ao clique de um mouse, janelas se abrem com "Gigas" e mais "Gigas" de informações. A Internet coloca à disposição do usuário praticamente todo o conteúdo acumulado pela humanidade ao longo dos tempos, habilitando qualquer pessoa a adquirir um volume extraordinário de conhecimento em apenas algumas horas.
Note caro leitor, que falamos agora em conhecimento e não em informação. Isto porque, há que se diferenciar informação, conhecimento e dados.
Um dado é apenas um elemento de uma informação. Poderíamos dizer que é um elemento em estado bruto, uma peça que serve de base para a formação de um juízo. A informação por conseguinte é um conjunto de dados reunidos em uma seqüência lógica que nos permite chegar uma certa conclusão.
Já o conhecimento é a vivência prática e a experiência pessoal obtida com o uso da informação.
Eis o ponto chave desta questão: "o uso" que se faz da informação. Não basta ter acesso a ela, é necessário saber o que fazer quando a encontrar.
Encontrar informações, como já dissemos, está cada vez mais fácil. Nossos filhos são capazes de buscar, em minutos, desde a teoria da relatividade, de Einstein, até às primeiras poesias de Camões, dos últimos avanços da ciência até os mais antigos textos filosóficos. Tudo isso está aí, à nossa disposição.
A questão é, mais uma vez, o que fazer com tudo isso? Como reconhecer a informação verdadeiramente relevante? E mais que isso, como utilizá-la de forma prática e eficaz?
É mais ou menos como uma partitura de música. As notas são dados, e reunidas em uma determinada seqüência se tornam uma informação. Entretanto, não adianta ter em mãos uma bela partitura e um extraordinário piano se não possuir a habilidade humana de tocá-lo, tirando do instrumento as belas melodias.
No mundo corporativo ocorre algo semelhante. As empresas investem grandes somas em equipamentos moderníssimos de informática, gastam fortunas em redes de comunicação e transmissão de dados, porém, nem sempre levam em conta o último elemento dessa cadeia, o ser humano. É ele o único ser dotado da capacidade abstrata de fazer a junção e a interligação das diversas informações, para que elas sirvam de base à tomada de decisões, as quais se transformarão em ações, que por sua vez deverão gerar algum resultado positivo para a empresa.
E se é o ser humano o agente crucial nessa história toda, a pergunta final é: Quando este ser humano é capaz de ter o seu melhor desempenho e deixar aflorar todo o seu talento?
Salvo raras exceções, de pessoas que conseguem produzir melhor sob pressão, e mais raras ainda das que gostam disso, a grande maioria só consegue ter seu melhor desempenho quando está emocionalmente bem. Isto porque, uma pessoa feliz e motivada irá naturalmente ter uma pré-disposição para buscar e ligar informações, produzindo resultados práticos, enquanto que uma pessoa infeliz se entregará à apatia e perderá parte da capacidade de ligar ou mesmo de reconhecer informações, o que fatalmente significará queda de produtividade.
Chegou, portanto, a era da humanização, que é simplesmente o tempo de pensar nas pessoas, como elas realmente são: seres com sentimentos, necessidades, angústias, medos e sonhos.
Antes de pensar na sua rede de informações, procure investir mais na rede de relacionamentos. Isso pode trazer resultados bastante satisfatórios a você e à sua empresa.


13:02
On Manager
0 comentários:
Postar um comentário